A imortalidade das letras em Teresópolis: a ATL celebra sua história e recebe um novo acadêmico

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Prof. Dr. Gabriel Lopes é eleito por unanimidade e tomará posse na tradicional Academia Teresopolitana de Letras, ocupando a Cadeira 16, que tem como patrono o consagrado escritor Euclides da Cunha

Por Fernando Pereira 

A Academia Teresopolitana de Letras (ATL), instituição fundada em 21 de abril de 1961 e considerada um dos mais importantes pilares culturais do município de Teresópolis, viveu um momento histórico com a eleição, por unanimidade, do Prof. Dr. Gabriel Lopes para a prestigiosa Cadeira 16. A cadeira tem como patrono o imortal Euclides da Cunha (1866-1909), autor de Os Sertões e nome fundamental da literatura e da historiografia brasileira.

A ATL, inspirada no modelo francês e dedicada à preservação da língua, da literatura e da memória cultural do município, acolhe Gabriel Lopes como seu mais novo acadêmico efetivo, somando-o à galeria de nomes que, desde 1961, contribuem para a perpetuação do patrimônio intelectual teresopolitano. Antes dele, a Cadeira 16 foi ocupada pelos imortais:

  • Oswaldo Nunes dos Santos (1961)
  • Virgílio Moretzsohn Moreira da Costa (1970)
  • Yeda Octaviano (1982)
  • Clara Waismann (2011)

Sua eleição reforça o compromisso da ATL em valorizar escritores, intelectuais e pesquisadores que se destacam pela produção cultural e pela contribuição acadêmica.

Um percurso internacional consolidado

A trajetória de Gabriel Lopes é marcada por reconhecimentos importantes no cenário literário e acadêmico internacional. Em 2021, recebeu o certificado de membro correspondente da Academia Boyacense de la Lengua, filial da Academia Colombiana de la Lengua, e também da Academia de Letras e Artes da Guiné-Bissau, instituição reconhecida e patrocinada pelo Presidente da República de Guiné-Bissau, que corrende a Academia Brasileira de Letras, por exemplo.

Seu vínculo com a Guiné-Bissau se aprofundou em 2024, quando foi agraciado com o mais alto grau concedido pela Academia de Letras do país: o Grau da Palma de Ouro 1ª Classe. No mesmo ano, foi nomeado Delegado da Academia de Letras e Artes da Guiné-Bissau no Estado do Rio de Janeiro, e, em ato contínuo, recebeu a Ordem do Mérito no Grau Grã-Cruz, com bênção especial do Bispo da Diocese de Bissau, Dom José Lambra Cà, protetor da Ordem do Mérito Nossa Senhora da Candelária.

Além do reconhecimento literário, Gabriel Lopes se destaca como especialista em Quality Assurance (QA) no Ensino Superior, atuando como Inspetor da Agência Internacional IEAC, sediada no Reino Unido. Autor de sete livros, construiu uma carreira respeitada no campo da educação, da pesquisa e da cooperação internacional.

A tradição da ATL e a chegada de um novo imortal

A Academia Teresopolitana de Letras, sediada na Casa de Cultura Adolpho Bloch, preserva e promove há mais de seis décadas a literatura e a memória cultural de Teresópolis, realizando concursos, palestras, antologias, prêmios e intercâmbios com instituições congêneres. É, como destaca sua própria história, uma guardiã natural do patrimônio cultural da cidade e um centro de estímulo à vida intelectual.

A posse de Gabriel Lopes na Cadeira 16 simboliza a continuidade dessa missão. Filho das Letras e da pesquisa, ele se une ao seleto grupo de quarenta acadêmicos efetivos e perpétuos que mantêm viva a tradição fundada por Arthur Dalmasso e seus companheiros em 1961.

Gabriel destaca: “Encontrei na ATL um grupo de pessoas que são verdadeiras referências intelectuais e humanas. Sinto-me profundamente honrado por integrar esta Academia, ainda que não me considere plenamente merecedor dessa distinção. Agradeço, de modo especial, ao meu padrinho, Dr. Delmo Geraldo Ferreira, pela confiança depositada em meu trabalho. Espero poder retribuir essa confiança, contribuindo ativamente com todos os meus confrades e confreiras.”

Com sua eleição unânime, a ATL reafirma seu papel essencial na preservação da cultura e na valorização das grandes vozes literárias e acadêmicas do município. Sua posse esta agendada para o dia 28 de novembro de 2025.

A presença de Gabriel Lopes na instituição representa, ao mesmo tempo, o reconhecimento por sua trajetória internacional e a renovação do compromisso da Academia com a excelência das letras, da educação e do pensamento crítico, valores que sempre nortearam o sodalício.

A imortalidade, como diz a própria história da ATL, não é apenas um título: é a obra que fica. E, a partir de agora, a obra de Gabriel Lopes também passa a integrar oficialmente esse legado.