“Será que o pensamento tem o poder de mudar o mundo? Ou, quem sabe, de mudar o modo como o vemos?” – foi com essa pergunta que minha mente permaneceu acesa durante toda a apresentação de “O Vale da Coisa Engraçada”. Uma comédia leve, sim, mas que toca fundo na alma ao lembrar que nem tudo precisa ser pesado, que o riso também é um ato de resistência, e que mesmo nos dias nublados há sempre algo bom acontecendo — basta olhar com o coração aberto.
O grupo teatral de Valinhos entregou uma atuação vibrante, sincera, cheia de cumplicidade. Cada gesto, cada olhar trocado no palco, revelava não apenas talento, mas amor pelo ofício. Via-se o novo e via-se a experiência. Era o tipo de interpretação que faz o público esquecer que está em uma plateia — somos levados para dentro do vale, junto deles.
O cenário artesanal e poético, trouxe a essência mais pura do teatro independente. Um cenário que não apenas compunha o espaço, mas participava da narrativa, quase como um personagem vivo. Era possível sentir o cuidado em cada detalhe, o toque de quem acredita que a beleza está na simplicidade e na verdade do feito à mão.
O jogo de luz completava essa atmosfera mágica, transformando o palco em um espaço de sonho e reflexão. Cada cor parecia conversar com a emoção da cena, guiando o olhar e o sentir do público.
E assim, o Prêmio Eliete Fernandes e o Sesi AE Carvalho encerraram o domingo de 09/11 de forma encantadora — celebrando a simplicidade e a pureza do teatro. Saímos de lá com uma certeza: o poder do pensar é real, o poder do lúdico é imenso e o poder da arte… esse, sim, é capaz de transformar o mundo.
Teatro do SESI AE Carvalho – São Paulo (SP)
Espetáculo: O Vale da coisa engraçada
Companhia: Grupo Teatral de Valinhos
(Festival de Teatro Prêmio Eliete Fernandes)

Por Gaya, NANNU | 20 de novembro 2025
(Nannu Gaya é autora e observadora do instante. Escreve crônicas sobre arte, cotidiano e tudo o que se dissolve entre um gole e outro.)
