Por Márcia Lucas
Recentemente descobri que, caso eu me torne modelo, nesse início de carreira seria chamada de New Face — expressão usada para designar “novos rostos” no mundo da moda.
A princípio, a ideia me causou estranheza. Afinal, sou uma old woman — uma mulher idosa — e ser chamada de new face (novo rosto) parece, no mínimo, paradoxal. Essa constatação despertou uma reflexão: como é possível ser uma “nova face” quando o rosto já carrega a história de uma vida inteira?
Ser uma mulher 60+ e, ao mesmo tempo, uma estreante na moda e nas mídias digitais pode ser desafiador em vários sentidos. Há uma tensão entre o que o mercado e a sociedade esperam das pessoas idosas e o que realmente desejamos expressar com autenticidade. O novo, para mim, não está em apagar marcas do tempo, mas em descobrir novas formas de existir e se expressar.
Em meio a décadas de atuação profissional — como enfermeira, gestora, docente e doutora em Saúde Coletiva —, percebo que minha experiência como modelo ainda é uma “inexperiência”. E é justamente esse aspecto que a torna fascinante. Ele me convida a equilibrar sabedoria e curiosidade, experiência e inovação, num cenário ainda fortemente marcado por padrões de beleza rígidos e etaristas.
Outro grande desafio é o da autoimagem e da confiança. Comentários sobre idade e aparência podem abalar até mesmo as mulheres mais seguras. É preciso aprender a olhar para si com generosidade, entender que beleza e valor se transformam com o tempo e que maturidade também é estética.
Ser chamada de new face pode, na verdade, representar uma oportunidade de renovação — um convite para ressignificar propósitos e viver novas experiências com coragem. Compartilhar minha história e sabedoria com o mundo da moda e das mídias sociais é também uma forma de inspirar outras mulheres a enxergarem o envelhecimento como potência, e não como limitação.
Afinal, a idade é apenas um número. Beleza, elegância e propósito podem assumir novos significados em diferentes fases da vida, em diversas culturas e contextos. O essencial é encontrar o equilíbrio entre a sabedoria adquirida e a disposição para inovar.
Novos caminhos para antigas questões
Nesta reflexão, reuni algumas possibilidades — inclusive com apoio de ferramentas de inteligência artificial — que podem auxiliar mulheres 60+ a enfrentarem os desafios e aproveitarem as oportunidades que surgem com o recomeço.
1. Adaptar-se às novas tendências e experiências
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Aprender continuamente: manter-se atualizada sobre as tendências e tecnologias no mundo da moda e das mídias digitais.
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Ser autêntica: seguir o que faz sentido para a sua personalidade, sem se prender a padrões impostos.
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Experimentar: não ter medo de tentar algo novo e aprender com os erros.
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Conectar-se com a comunidade: trocar experiências com outras pessoas, mantendo-se inspirada e em movimento.
2. Manter a confiança e a autoimagem positiva
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Valorizar seus pontos fortes: dar destaque às suas habilidades e conquistas.
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Praticar a autoaceitação: reconhecer que não é necessário rejuvenescimento para ser aceita; é tempo de celebrar a beleza da maturidade.
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Cultivar um círculo de apoio: cercar-se de pessoas que apoiam e inspiram.
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Investir no autocuidado: cuidar do corpo e da mente, valorizando o bem-estar.
3. Lidar com expectativas e comentários sociais
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Não levar críticas para o lado pessoal: compreender que opiniões alheias não definem seu valor.
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Focar no essencial: manter-se fiel ao que realmente importa.
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Ser assertiva: comunicar sentimentos e necessidades com clareza.
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Desenvolver resiliência: transformar críticas em aprendizado e crescimento.
Essas são apenas algumas sugestões. Cada mulher deve encontrar o caminho que faz sentido para si. A confiança e a autoimagem positiva nascem de dentro — e é esse brilho interior que nenhuma idade apaga.
E você, como pretende lidar com esses desafios e oportunidades?
Qual é o seu plano para se adaptar às novas experiências no mundo da moda e das mídias digitais?

